Após livrar o Bahia de qualquer risco de rebaixamento para a Série B e chegar a brigar por uma vaga na Libertadores, o experiente Paulo Cezar Carpegiani não deve continuar no Bahia para a temporada 2018. O treinador, além de estar sendo cobiçado pelo Flamengo, para coordenar o futebol do rubro-negro carioca, não tem o aval de todos dentro do Esquadrão de Aço. Com isso, alguns nomes surgiram em meio ao perfil que o presidente Guilherme Bellintani idealiza para treinar o Bahia, no entanto, a bola da vez (sem trocadilho rsrs) é Guto Ferreira.

Traíra para alguns, fraco para outros, mas também amado por muitos, o ‘Gordiola’, como ficou popularmente conhecido, pode ser, mais uma vez, o treinador do tricolor. Não há uma opinião unânime sobre o gorducho. Tem torcedor que o considera traidor, pelo fato dele ter saído do Bahia para receber quase o dobro do salário e voltar para as suas origens, e tem torcedor que simplesmente não gosta do perfil dele e não o considera qualificado para reassumir o cargo. Bom, respeito as opiniões alheias, mas por quê não aceitar o técnico que mais tempo durou aqui nessa década? Por quê não aceitar de volta o treinador que conquistou o nosso maior título nos últimos anos, além de um acesso à primeira divisão?

Não consigo entender alguns torcedores que julgam a escolha de Guto errada ao sair do Bahia, sendo que não pensariam duas vezes se recebessem uma proposta com praticamente o dobro do salário, para retornar a um lugar que já está ambientado. Vamos deixar a passionalidade de lado! Também é incompreensível o fadado discurso que justifica uma boa campanha como sorte e uma má como incompetência. Vamos ponderar as coisas né?! O Bahia não subiu, em 2016, graças ao Oeste. Guto pegou o Bahia fora do G4 e o colocou dentro, mesmo sem as peças desejadas e sem tempo suficiente para poder implementar aquilo que acredita ser o ideal como futebol. O Bahia não começou a jogar bem em 2017 somente a partir do momento que Hernane se machucou e Edigar passou a jogar centralizado. O momento era de decisão e os jogadores vestiram a camisa como tinham que vestir, mas já tinham, até ali, a melhor campanha da Copa do Nordeste, estavam sem levar gols em casa na competição e tinham chegado até aquele momento com certa tranquilidade. É simples!

Muitos o consideram teimoso por insistir em um sistema tático (o tal do 4-3-3, que depois virou 4-5-1). Eu prefiro concebê-lo como persistente e convicto. Guto tem uma filosofia de jogo que acredita ser a certa e mostrou, nos times que treinou ao longo da sua carreira, que com tempo e um pensamento alinhado e abraçado pela direção do clube, consegue aplicar, dentro das quatro linhas, aquilo que acredita ser o futebol ideal a ser jogado. Em termos táticos, com ele, também ficou nítida a consistência defensiva que o Bahia tinha, além da transição rápida. Mantendo uma base que o mesmo teve em 2017 e reforçando pontualmente, a equipe tem tudo para evoluir.

Um ponto ignorado ou até desconhecido por muitos é a relação do Gordiola com os atletas. Guto faz questão de ter um motivador na sua equipe, um profissional designado apenas para desempenhar essa função, assim como, crê ser imprescindível valorizar cada jogador. Como exemplo, veja o que Renê Jr, atleta bancado por Guto e um dos maiores destaques do Bahia na temporada, falou sobre o treinador antes de sair daqui: “Pô, o Guto é um cara nota mil. Sabe tratar um atleta como poucos treinadores sabem. Já me conhecia desde os tempos da Ponte. Cheguei a Salvador e, em pouco tempo, já me sentia em casa.”

Então, torcedor, não quero tirar a sua razão e nem dizer que o meu pensamento é o único correto, mas por que não dar uma chance a Guto Ferreira? Vamos deixar o orgulho de lado, analisar os números, os fatos e se render ao gorducho. Se realmente voltar, seja bem-vindo, Gordiola! Faça o Bahia mais uma vez vencedor!

 

Texto: Matheus “Barbaço” Francisco

Matheus Francisco

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